terça-feira, 1 de novembro de 2011

Cemitérios de Candiota serão objetos de estudo de Pesquisadora Uruguaia


Por Cássio Lopes

Foi através de uma simples busca na internet, que Elena Saccone, pesquisadora da faculdade de humanidade e Ciências da Educacão, da Universidade da República de Montevideo encontrou no bolg do Núcleo de Pesquisas Históricas de Candiota material para sua Tese de Graduação em arqueologia intitulada “panteones rurales” de la frontera entre Uruguay y Río Grande do Sul. Sua pesquisa busca fazer comparações entre os mausoléus construídos em ambos os países, que datam entre 1860 e 1930 que se encontrem em zonas rurais ou estejam dentro de cemitérios de campo. 
Com essas características, os sítios sepulcrais pesquisados foram o Mausoléu do Brigadeiro Manoel Lucas de Lima e o Cemitério Alto Santa Rosa. Após levantamento arquitetônico, fotográfico, histórico e mapeamento dos locais. O resultado do estudo foi então remetido. Cássio Lopes, presidente do Núcleo de Pesquisas Históricas de Candiota destaca que além dos cemitérios pesquisados, existem diversos outros de relativa importância histórica, podendo destacar: “Cemitério dos Marimom”; “ “Cemitério dos Monte”,;“Cemitério dos Lucas” e “Cemitério dos Urdangarim”. “Ficamos felizes em poder colaborar com tão importante estudo e extremamente satisfeitos em saber que pontos históricos e turísticos de nosso município ultrapassaram a fronteira e serão conhecidos por nossos hemanos Uruguaios”. Completa Lopes.  

Dom Diogo de Souza poderia ter fundado Candiota ao invés de Bagé


Por Cássio Lopes

No estudo da história Militar do Sul do Brasil, a Coxilha Grande é conhecida como caminho histórico das invasões.
Em verdade a penetração para o norte ou para o sul nestas bandas, sempre se fez tomando o alto da Coxilha Grande, ou margeando o Rio Negro com movimentos sobre os pontos mais iminentes, num serpenteio sobre o divisor das águas deste e do Jaguarão.
                Assim aconteceu com os jesuítas que vieram do sul, como conta o Padre Nosdorffer, em fins do Século XVll, assim foi o que resultou do Tratado de Madri de 1750, assim a caminhada do Marquês de Val de Lírios em 1754, assim Vertiz y Salcedo quando veio estabelecer  Santa Tecla e Luiz Ramirez quando entregou essa praça para Rafael Pinto Bandeira.
                Todos os caminhantes deixavam o lugar onde se ergue os serros de Bagé, à esquerda ou à direita.
                Não foi outra a estratégia de Dom Diogo de Souza, quando planejou o movimento de seu Exército Pacificador rumo a Montevidéu. Pela Coxilha Grande deveria ser a penetração. Por isso, em 19 de novembro de 1810, estando em Rio Grande, determinou ao Marechal de Campo Manuel Marques de Souza que escolhesse um lugar nas nascentes do Rio Jaguarão ou nos Rincões de Santa Tecla, para estabelecer o acampamento de sua coluna.
                Quando o Comandante da Guarda de Serrito, Hipólito do Couto Brandão, designado para ver o melhor lugar, informou que, em condições de abrigar um exército, só havia um lugar: “O Capão das Laranjeiras”, nos campos de Fernando Lucas, ao pé de Santa Rosa, junto ao Arroio Candiota. Não aceitou Dom Diogo de Souza a sugestão e confirmou suas anteriores preferências.
                Manoel Marques de Souza, embora se fixando numa região militarmente conhecida, não se fixou em nenhum dos lugares já utilizados em outras campanhas, dando preferência por uma nova ocupação: “ao nascente dos Serros de Bagé”.
                Nas diversas vezes visitas que fez ao acampamento de Bagé, Dom Diogo percebeu o acerto de sua escolha e pressentiu as possibilidades do lugar e, por isso, face às circunstancias do momento, não desfez o acampamento e nem o abandonou à sua sorte. Em 17 de julho de 1811, chamou o Tenente de Dragões Pedro Fagundes de Oliveira, que comandava a Guarda de São Sebastião, e o designou comandante deste campo e seu Distrito, dando-lhe autoridade necessária para que o acampamento se fizesse um povoado. Antes fora além, e contrariando as normas de seu comando, autorizou que os oficiais e soldados trouxessem suas mulheres e famílias para esse ponto, constituindo assim, com as que vieram de São Sebastião o núcleo gerador da gente desta terra.
                “Se Dom Diogo tivesse aceitado a sugestão de Hipólito Brandão, e instalado seu exército no local indicado, lugar privilegiado, onde se dispõe de recursos necessários para instalar um ótimo acampamento para abrigar um grande efetivo de contingentes, poderia ter surgido em Candiota um povoado, com grandes possibilidades de prosperar e se tornar Vila e posteriormente Cidade.”Destaca  Cássio Lopes, presidente do Núcleo de Pesquisas Históricas de Candiota.

               

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Luís Gonçalves das Chagas - Barão de Candiota

Por Cássio Lopes

Luís Gonçalves das Chagas, primeiro e único Barão de Candiota (Rio Grande do Sul, c.1815 — Porto Alegre, 1894) foi um estancieiro, militar e nobre brasileiro.

Proprietário de grande extensão de terras nos municípios de São Gabriel, Bagé e Santa Maria, Chagas lutou na Guerra dos Farrapos pelo lado republicano. Participou da primeira grande vitória dos rebeldes, a Batalha do Seival (10 de setembro de 1836), ocorrida nas proximidades de estância sua no atual município de Candiota
Segundo estimativa baseada no patrimônio de um de seus filhos, Januário Gonçalves das Chagas, o conjunto das propriedades rurais do Barão de Candiota deve ter superado os 500 mil hectares (cerca de 2% da área total do Rio Grande do Sul). Roque Callage observava em 1929 que o Barão poderia ir das coxilhas de Santa Maria à cidade de Bagé "sem pisar fora dos seus campos".
Em 1865, Chagas forneceu a escolta do Imperador Pedro II em sua visita ao Rio Grande do Sul por ocasião da Guerra do Paraguai. Naquele mesmo ano, organizou regimento de cavalaria para lutar pela Tríplice Aliança. Por seus serviços ao Brasil durante o conflito, foi agraciado por Pedro II com o título de Barão de Candiota, em 20 de março de 1875

Pesquisadores Resgatam a História do Coronel Manoel Lucas de Oliveira


Por Cássio Lopes

Manoel Lucas de Oliveira nasceu em Povo Novo em 29 de janeiro de 1797. Falecendo em Rio Grande em 1874. Estancieiro nas proximidades do Arroio Candiota, era casado com sua sobrinha Inês Lucas de Oliveira. Combateu na Revolução Farroupilha em várias importantes batalhas, como um dos principais líderes da Revolução no Rio Grande do Sul, entre elas a batalha do Seival, quando depois da vitória, ajudou a convencer o comandante Antônio de Sousa Netto a proclamar a República Rio-Grandense, nos campos dos Meneses, as margens do Arroio Jaguarão, declarando assim separado o Rio Grande do Sul do Império do Brasil em 11 de setembro de 1836. Foi capturado em 25 de março de 1840, junto com Onofre Pires, perto da Quinta do Bibiano, margem direita do Rio Jacuí, junto com 60 infantes, 4 carretas de fazendas, 2 peças de Artilharia e munição. Foi depois libertado em troca de prisioneiros. Em São Lourenço do Sul, na localidade de Boqueirão, venceu batalha contra a tropa do imperial Francisco Pedro de Abreu. Foi ministro  da República Rio-Grandense e terminou a revoluçção no posto de coronel. Assinou uma das três declarações de paz, firmada em 28 de fevereiro de 1845, em nome de Gomes Jardim, presidente da República Rio-Grandense, encerrando a revolução de mais de 9 anos. Em 1847 foi nomeado Coronel da Guarda Nacional e comandante dos municípios de Piratini, Bagé e Jaguarão. Foi eleito deputado provincial na 3ª Legislatura da Assembléia do Rio Grande do Sul, em 1848. Depois foi responsável pela organização do primeiro corpo de Voluntários da Pátria para Guerra do Paraguai em 1865. Também participou como comandante de uma brigada de reserva nas Guerras Platinas contra Oribe e Rosas.
 Manoel foi pioneiro na produção de minério na região, em 06 de julho de 1865, assim relata em seu diário: “Hoje está melhor a atmosfera eu vou ir a Caleira. Fui e vi a metade da pedra do forno está calcinada e amanhã vão começar a recolhê-la. Vim com o Sebastião pela pedreira nova e tirou umas pedras para fazer a experiência; eu trouxe também. À noite ocupei-me a fazer um calculo sobre as despesas e rendimentos que pode ter a Caleira em um ano, fazendo duas fornadas de dois em dois meses, e achei dar livre de despesas, a todos juntos= 4.788 patacões, e cada um dos três, 1.596. Trabalhando com quatro peões bons e efetivos, dando a cada um para o etape – meio patacão diário e de salário, dez patacões por mês”. Cássio Lopes, presidente do Núcleo de Pesquisas Históricas de Candiota, destaca quem quiser conhecer as caleiras, as mesmas localizam-se no assentamento do Passo do Tigre, a margem direita do Arroio Candiota, próximo a Cimbagé.

Núcleo de Pesquisas Históricas de Candiota Recebe livros de historiador Bageense.


Por Cássio Lopes

Após breve contato com Maria Bartira Taborda, filha do renomado historiador Tarcisio Antônio Costa Taborda, Cássio Lopes presidente do Núcleo de Pesquisas Históricas de Candiota, salientou o interesse da entidade em adquirir os livros do pesquisador. Algumas semanas após, para surpresa de todos, Bartira, consegui boa parte da obra de seu pai, a qual fez a questão de doar o acervo para os Pesquisadores Candiotenses. Tarcísio Antonio Costa Taborda foi historiador, professor e escritor, nasceu em Bagé em 13.07.1928 / 13.03.1994. Filho de Áttila Taborda e de Julia Costa Taborda. Exerceu entre 1951/55, o magistério secundário nos Ginásios Espírito Santo, Profª Melanie Granier e Colégio N. S. Auxiliadora, lecionando História do Brasil, Elementos de Economia Política, Português e Latim. Em 1952, foi bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais pela Universidade Federal do RGS. Exerceu o magistério superior nas Faculdades de Filosofia, Ciências e Letras e de Direito na FunBA (Faculdades Unidas de Bagé). Fundou em Bagé, o Museu Dom Diogo de Souza em 1955 e
Museu Patrício Corrêa da Câmara em 1970. Os Livros que foram doados para núcleo, são: “Bagé; Símbolos e Festas”(1990); “Bagé e a Revolução Farroupilha”(1985); “Perfis”(1998); “Datas Importantes de Bagé”; “Fontes para a História da Revolução de 1893”(1987); “Forte Santa Tecla”; “Abolição da Escravatura em Bagé”(1984) e “Bagé para Sempre”(1981). Agradeço Bartira pela doação dos livros, os mesmos serão de grande valia para nossas pesquisas”. Completa Cássio Lopes.

terça-feira, 3 de maio de 2011

PESQUISADORES RESGATAM A HISTÓRIA DE UM DOS PRIMEIROS MINEIROS DE CANDIOTA

Por Cássio Lopes

A atividade de extração de carvão sempre ocupou destaque em nossa região. O Coronel Manoel Lucas de Oliveira, que possuía estância próxima ao Arroio Candiota, assim descreveu no seu diário em 1864: “Coronel Lima(Manoel Lucas de Lima) e o “Moringue” (Coronel Francisco Pedro Buarque de Abreu)andam vendo minas de carvão. Não sei como pode, nosso país empenhado na guerra do Paraguai e outros preocupados com carvão”.
Em 1890, Emilia Reverbel, então viúva do Brigadeiro Manoel Lucas de Lima, ganhou através de decreto, autorização do governo para extrair de carvão em pedra em sua propriedade, localizada próximo ao Passo do Tigre.
Com a inauguração da estrada de ferro que ligava Bagé a Rio Grande, a atividade ganhou forças, pois surgiram várias minas de carvão próximas às estações. Uma delas trabalhou o Sr. João Maximo Lopes, juntamente com seu pai Norberto Vaz Lopes, o qual arrendava terras de propriedade do Sr. Luiz Chirivino. A Produção era totalmente artesanal, além do carvão eram comercializados o barro refratário, e o caulim, este usado na produção de louças e cerâmicas. A Mina funcionou de 1940 a 1950, possuía seis operários permanentes e diversos carroceiros contratados, que transportavam o carvão até a Estação Dario Lassance, onde era boleado de pá para plataformas com capacidade máxima de 30 toneladas. Seu João esteve recentemente visitando Candiota e o NPHCAN. Na oportunidade mostrou a mina onde trabalhava e os ranchos onde residiam que ficavam localizados próximo ao pavilhão da CRM.
“Quando era jovem, sonhava com um futuro promissor,  mas hoje percebo que “aquele tempo” foi realmente os anos de ouro de minha vida”. Comenta Lopes, emocionado.
Foi através do exemplo e motivação do Núcleo de Pesquisas Históricas de Camaquã, do qual Seu João Lopes é fundador, o Núcleo de Candiota foi criado. Enfatiza Cássio Gomes, Presidente da entidade.
O Núcleo de Pesquisas Históricas de Candiota, esta de portas abertas para comunidade. Quem quiser participar de suas reuniões, as mesmas acontecem todas as primeiras segundas-férias de cada mês, as 19 horas, na Rua João Magalhães Filho, 590 em Dario Lassance.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

NÚCLEO DE PESQUISAS HISTÓRICAS DE CANDIOTA MAPEA PROVÁVEL LOCAL DA BATALHA SEIVAL

Por Cássio Lopes

Em trabalho de pesquisa de campo, integrantes do Núcleo de Pesquisas Históricas de Candiota-NPHCAN visitaram a propriedade do Sr. Mario Salis, localizada na estrada do Arbolito, Terceiro Distrito do Baú, interior do Município de Candiota. Na oportunidade foi conhecido o provável local da Batalha do Seival, ocorrida em dez de setembro de mil oitocentos e trinta e seis, onde foi proclamada a República Rio Grandense, após a vitória dos Farroupilha comandada pelo General Antônio de Souza Netto e Coronel Manoel Lucas de Oliveira sobre as forças legalistas chefiadas pelo Coronel João da Silva Tavares. Também foi conhecida a “Picada do Zeca Netto”, local que atravessa o Arroio Seival, onde o importante líder maragato fazia seus deslocamentos e manobras militares na revolução de mil novecentos e vinte e três. Confira o breve resumo de como se travou a mais famosa de todas as batalhas da Revolução Farroupilha:
O coronel legalista João da Silva Tavares tinha se refugiado no Uruguai, depois de reveses que sofreu em combates isolados. Voltou para a Província em setembro de mil oitocentos e trinta e seis, comandando uma força de quinhentos e sessenta homens, a maior parte recrutada entre rio-grandenses no exílio. Bem armado, Tavares provocou os farroupilhas, passando pela região de Candiota, território guarnecido pela tropa do coronel Antônio de Souza Netto, formada por quatrocentos soldados, muitos dos quais eram   uruguaios.
No dia dez de setembro, os inimigos se encontraram nas margens do Arroio Seival. Inicialmente houve pequena vantagem das forças imperiais, mas o cavalo de Silva Tavares, com o freio rebentado na peleia, disparou em velocidade, causando a impressão de fuga, mesmo entre seus comandados. A confusão entre eles foi aproveitada pelos cavaleiros de Netto, que atacaram com força redobrada. O resultado deste mal-entendido foi ficarem os revoltosos quase intactos, enquanto houve cento e oitenta mortos, sessenta e três feridos e mais de cem prisioneiros do lado dos imperiais. No dia seguinte, após a renhida luta, Netto marcha para o Campo dos Meneses onde proclama a INDEPENDÊNCIA DO RIO GRANDE DO SUL, sob a forma republicana.

Cássio Lopes, Presidente da entidade, relata que existem trincheiras de guerra nas barrancas do arroio, as quais foram usadas pelos farroupilhas na emboscada contra as forças do império. No Passo foram encontrados dois binóculos e três ponteiras de lanças. “Todas as evidências são concretas, nos levando a crer que esse Passo sobre o Arroio Seival, tem grandes possibilidades, de ter sido realmente o local onde se travou a batalha que culminou no feito mais importante da história Sul Rio Grandense.” Completa Lopes.