segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Quem foi Adão Latorre?


Por Cássio Lopes

Oriundo do Uruguai fixou residência no interior de Bagé. Adão Latorre sobre o qual pesam as acusações de haver degolado no dia 28 de novembro de 1893 em torno 300 prisioneiros no combate do Rio Negro,(nos campos do atual município de Hulha Negra); segundo testemunhas oculares do acontecimento, foram degolados realmente e no máximo, 34 pessoas já que, após o combate e antes da degola, foram contados 270 mortos espalhados no campo da batalha.
Na importante obra “Alma, Sangue e Terra” de Cândido Pires de Oliveira, encontramos às páginas 189 e 190, uma nota sobre Latorre cujo conteúdo é uma transcrição de um depoimento do próprio Adão feito ao Sr. João Cavalheiro durante a revolução de 1923 com o seguinte teor:
Depois de haver participado da Guerra do Paraguai ao lado de Joca Tavares, ao eclodir a revolução de 1893, novamente, ingressou nas forças daquele general. Ao partir para a revolução, deixou em sua residência, como guardião de sua esposa e filhos, o seu pai já com avançada idade. Passando por aquele local um contingente castilhista, seus componentes assassinaram cruelmente o seu pai, conduziram ao acampamento a esposa e filhas que indefesas, foram submetidas a estúpidas sevícias. Por ocasião do combate do Rio Negro, Adão Latorre logrou aprisionar os responsáveis por aqueles crimes horrendos contra a sua família. Valendo-se de testemunhas, que identificaram um por um dos assassinos, os abateu degolados. Entre os executados estava o Coronel Legalista Manoel Pedroso.
No livro nº 4 dos Contratos Diversos do 8º Distrito, encontramos registrado no dia 27 de setembro de 1922 o Testamento do Lendário Cel. Adão Latorre que possui o seguinte teor: “Adão Latorre, solteiro, uruguaio, com 83 anos de idade, domiciliado no 1º Distrito a quem conhecemos e atestamos a sua perfeita sanidade, declara em seu testamento sua última vontade pela maneira seguinte: Que não tendo herdeiros necessários, descendentes ou ascendentes, embora reconhecendo verdadeiros e naturais os seus dois filhos havidos com Maria Francisca Nunes, brasileira, solteira já falecida, João Latorre com 52 anos de idade e Nicamoza Latorre com 42 anos, solteiros, uruguaios, residentes no município, deixa oito braças de sesmaria e a casa para Josefina Machado companheira com que reside, cuja área tem limites com a propriedade de Gaudêncio Furtado de Souza e a estrada real de Bagé ao Camaquã e nomeia como testados  Gaudêncio Furtado de Souza e substituto Vergílio Alfredo de Almeida. Testemunhas: Plínio Azevedo (funcionário público), José Otávio de Lima (comerciante), Miguel Ravizo (comerciante), Anaurelino Francisco Ferreira (funcionário público) e Jônatas José de Carvalho (proprietário). Escrivão ao Sr. José Maria Lopes”.
Adão Latorre morreu fuzilado no dia 15 de maio de 1823, no combate do Santa Maria Chica (Passo da Ferraria) município de Dom Pedrito, após sofrer emboscada dos capangas do Major  Antero Pedroso. (Irmão do Coronel Manoel Pedroso)
 Pedro Antônio de Souza Neto (tio Pedro), ferreiro do antigo 12º RC, hoje 3º Batalhão Logístico (Batalhão Presidente Médici), foi quem no ano de 1923, com a patente de 3º sargento do Exército, foi designado a integrar um pelotão para fazerem o translado do corpo de Adão Latorre do Passo da Maria Chica para Bagé, onde foi sepultado no cemitério dos anjos.
Adão deixou 13 filhos dos quais 9 eram Uruguaios e dois deles possuíam o nome de João.
Cássio Lopes, presidente do Núcleo de Pesquisas Históricas de Candiota, salienta que além de Adão Latorre, existiram outros uruguaios, que lutaram na Revolução de 1893, defendendo a causa Maragata, podendo destacando o valente General Aparicio Saraiva e sua força, que era composta por vários de seus compatriotas. 

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

História do Cemitério da Guarda


Por Cássio Lopes

Após a assinatura do Tratado de Santo Idelfonso, de 1777, no qual delimitava a fronteira entre Portugal e Espanha no território do atual estado do Rio Grande do Sul.  Foram enfim instalados em 1786, os marcos divisórios correspondentes a ambos os reinados.  Em Bagé, além da grande guarda fronteiriça de São Sebastião, foi criada outra guarda de pequeno porte que ficava localizada a pouco mais de 600 metros da Estância do Sobrado. Segundo a tradição oral, pelo falecimento natural de um oficial da referida guarda, o mesmo foi sepultado em um local próximo onde foi confeccionada e posta uma cruz de ipê a partir de um cabeçalho de carreta; essa cruz permaneceu naquele local até ano de 1957. Esse acontecimento deu origem ao conhecido Cemitério da Guarda. Outro detalhe interessante ligado à história desse cemitério, é que a primeira árvore que cresceu em seu interior, foi um pé de murta que, segundo relatos, teve origem de uma cruz feita com dois galhos verdes daquela árvore e, por haver brotado a haste vertical, tornou-se um exemplar de grande porte tendo existido até o ano de 1940; essa árvore era considerada um símbolo daquele campo santo. Atualmente o Cemitério da Guarda possui a sua frente para o nascente, mas o mesmo começou tendo a frente voltada para o lado poente. Dentre várias pessoas ali enterradas, destaca-se a figura do Cabo José Francisco Lacerda, conhecido popularmente como “Chico Diabo”, que se notabilizou por ter ferido mortalmente, com uma lançada o ditador Francisco Solano Lopez, em Cerro Corá, nos campos do Paraguai, no dia 1º de março de 1870, dando assim, fim a Guerra da Triplice Aliança, após seis longos anos de lutas. Cássio Lopes presidente do Núcleo de Pesquisas Históricas de Candiota salienta que além do Cemitério da Guarda existem diversos outros de relativa importância histórica, podendo citar: Cemitério da Bolena, Cemitério das Tunas e Cemitério dos Anjos, este onde repousam os restos mortais do Coronel Maragato Adão Latorre, que lutou nas Revoluções de 1893 e 1923.
O então Coronel João Nunes da Silva Tavares, conhecido comoJoca Tavares (terceiro sentado, da esquerda para a direita) e seus auxiliares imediatos, incluíndo Francisco Lacerda, mais conhecido como "Chico Diabo" (terceiro em pé, da esquerda para a direita).

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Túmulo Chico Diabo
Túmulo Adão Latorre

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Cemitérios de Candiota serão objetos de estudo de Pesquisadora Uruguaia


Por Cássio Lopes

Foi através de uma simples busca na internet, que Elena Saccone, pesquisadora da faculdade de humanidade e Ciências da Educacão, da Universidade da República de Montevideo encontrou no bolg do Núcleo de Pesquisas Históricas de Candiota material para sua Tese de Graduação em arqueologia intitulada “panteones rurales” de la frontera entre Uruguay y Río Grande do Sul. Sua pesquisa busca fazer comparações entre os mausoléus construídos em ambos os países, que datam entre 1860 e 1930 que se encontrem em zonas rurais ou estejam dentro de cemitérios de campo. 
Com essas características, os sítios sepulcrais pesquisados foram o Mausoléu do Brigadeiro Manoel Lucas de Lima e o Cemitério Alto Santa Rosa. Após levantamento arquitetônico, fotográfico, histórico e mapeamento dos locais. O resultado do estudo foi então remetido. Cássio Lopes, presidente do Núcleo de Pesquisas Históricas de Candiota destaca que além dos cemitérios pesquisados, existem diversos outros de relativa importância histórica, podendo destacar: “Cemitério dos Marimom”; “ “Cemitério dos Monte”,;“Cemitério dos Lucas” e “Cemitério dos Urdangarim”. “Ficamos felizes em poder colaborar com tão importante estudo e extremamente satisfeitos em saber que pontos históricos e turísticos de nosso município ultrapassaram a fronteira e serão conhecidos por nossos hemanos Uruguaios”. Completa Lopes.  

Dom Diogo de Souza poderia ter fundado Candiota ao invés de Bagé


Por Cássio Lopes

No estudo da história Militar do Sul do Brasil, a Coxilha Grande é conhecida como caminho histórico das invasões.
Em verdade a penetração para o norte ou para o sul nestas bandas, sempre se fez tomando o alto da Coxilha Grande, ou margeando o Rio Negro com movimentos sobre os pontos mais iminentes, num serpenteio sobre o divisor das águas deste e do Jaguarão.
                Assim aconteceu com os jesuítas que vieram do sul, como conta o Padre Nosdorffer, em fins do Século XVll, assim foi o que resultou do Tratado de Madri de 1750, assim a caminhada do Marquês de Val de Lírios em 1754, assim Vertiz y Salcedo quando veio estabelecer  Santa Tecla e Luiz Ramirez quando entregou essa praça para Rafael Pinto Bandeira.
                Todos os caminhantes deixavam o lugar onde se ergue os serros de Bagé, à esquerda ou à direita.
                Não foi outra a estratégia de Dom Diogo de Souza, quando planejou o movimento de seu Exército Pacificador rumo a Montevidéu. Pela Coxilha Grande deveria ser a penetração. Por isso, em 19 de novembro de 1810, estando em Rio Grande, determinou ao Marechal de Campo Manuel Marques de Souza que escolhesse um lugar nas nascentes do Rio Jaguarão ou nos Rincões de Santa Tecla, para estabelecer o acampamento de sua coluna.
                Quando o Comandante da Guarda de Serrito, Hipólito do Couto Brandão, designado para ver o melhor lugar, informou que, em condições de abrigar um exército, só havia um lugar: “O Capão das Laranjeiras”, nos campos de Fernando Lucas, ao pé de Santa Rosa, junto ao Arroio Candiota. Não aceitou Dom Diogo de Souza a sugestão e confirmou suas anteriores preferências.
                Manoel Marques de Souza, embora se fixando numa região militarmente conhecida, não se fixou em nenhum dos lugares já utilizados em outras campanhas, dando preferência por uma nova ocupação: “ao nascente dos Serros de Bagé”.
                Nas diversas vezes visitas que fez ao acampamento de Bagé, Dom Diogo percebeu o acerto de sua escolha e pressentiu as possibilidades do lugar e, por isso, face às circunstancias do momento, não desfez o acampamento e nem o abandonou à sua sorte. Em 17 de julho de 1811, chamou o Tenente de Dragões Pedro Fagundes de Oliveira, que comandava a Guarda de São Sebastião, e o designou comandante deste campo e seu Distrito, dando-lhe autoridade necessária para que o acampamento se fizesse um povoado. Antes fora além, e contrariando as normas de seu comando, autorizou que os oficiais e soldados trouxessem suas mulheres e famílias para esse ponto, constituindo assim, com as que vieram de São Sebastião o núcleo gerador da gente desta terra.
                “Se Dom Diogo tivesse aceitado a sugestão de Hipólito Brandão, e instalado seu exército no local indicado, lugar privilegiado, onde se dispõe de recursos necessários para instalar um ótimo acampamento para abrigar um grande efetivo de contingentes, poderia ter surgido em Candiota um povoado, com grandes possibilidades de prosperar e se tornar Vila e posteriormente Cidade.”Destaca  Cássio Lopes, presidente do Núcleo de Pesquisas Históricas de Candiota.

               

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Luís Gonçalves das Chagas - Barão de Candiota

Por Cássio Lopes

Luís Gonçalves das Chagas, primeiro e único Barão de Candiota (Rio Grande do Sul, c.1815 — Porto Alegre, 1894) foi um estancieiro, militar e nobre brasileiro.

Proprietário de grande extensão de terras nos municípios de São Gabriel, Bagé e Santa Maria, Chagas lutou na Guerra dos Farrapos pelo lado republicano. Participou da primeira grande vitória dos rebeldes, a Batalha do Seival (10 de setembro de 1836), ocorrida nas proximidades de estância sua no atual município de Candiota
Segundo estimativa baseada no patrimônio de um de seus filhos, Januário Gonçalves das Chagas, o conjunto das propriedades rurais do Barão de Candiota deve ter superado os 500 mil hectares (cerca de 2% da área total do Rio Grande do Sul). Roque Callage observava em 1929 que o Barão poderia ir das coxilhas de Santa Maria à cidade de Bagé "sem pisar fora dos seus campos".
Em 1865, Chagas forneceu a escolta do Imperador Pedro II em sua visita ao Rio Grande do Sul por ocasião da Guerra do Paraguai. Naquele mesmo ano, organizou regimento de cavalaria para lutar pela Tríplice Aliança. Por seus serviços ao Brasil durante o conflito, foi agraciado por Pedro II com o título de Barão de Candiota, em 20 de março de 1875

Pesquisadores Resgatam a História do Coronel Manoel Lucas de Oliveira


Por Cássio Lopes

Manoel Lucas de Oliveira nasceu em Povo Novo em 29 de janeiro de 1797. Falecendo em Rio Grande em 1874. Estancieiro nas proximidades do Arroio Candiota, era casado com sua sobrinha Inês Lucas de Oliveira. Combateu na Revolução Farroupilha em várias importantes batalhas, como um dos principais líderes da Revolução no Rio Grande do Sul, entre elas a batalha do Seival, quando depois da vitória, ajudou a convencer o comandante Antônio de Sousa Netto a proclamar a República Rio-Grandense, nos campos dos Meneses, as margens do Arroio Jaguarão, declarando assim separado o Rio Grande do Sul do Império do Brasil em 11 de setembro de 1836. Foi capturado em 25 de março de 1840, junto com Onofre Pires, perto da Quinta do Bibiano, margem direita do Rio Jacuí, junto com 60 infantes, 4 carretas de fazendas, 2 peças de Artilharia e munição. Foi depois libertado em troca de prisioneiros. Em São Lourenço do Sul, na localidade de Boqueirão, venceu batalha contra a tropa do imperial Francisco Pedro de Abreu. Foi ministro  da República Rio-Grandense e terminou a revoluçção no posto de coronel. Assinou uma das três declarações de paz, firmada em 28 de fevereiro de 1845, em nome de Gomes Jardim, presidente da República Rio-Grandense, encerrando a revolução de mais de 9 anos. Em 1847 foi nomeado Coronel da Guarda Nacional e comandante dos municípios de Piratini, Bagé e Jaguarão. Foi eleito deputado provincial na 3ª Legislatura da Assembléia do Rio Grande do Sul, em 1848. Depois foi responsável pela organização do primeiro corpo de Voluntários da Pátria para Guerra do Paraguai em 1865. Também participou como comandante de uma brigada de reserva nas Guerras Platinas contra Oribe e Rosas.
 Manoel foi pioneiro na produção de minério na região, em 06 de julho de 1865, assim relata em seu diário: “Hoje está melhor a atmosfera eu vou ir a Caleira. Fui e vi a metade da pedra do forno está calcinada e amanhã vão começar a recolhê-la. Vim com o Sebastião pela pedreira nova e tirou umas pedras para fazer a experiência; eu trouxe também. À noite ocupei-me a fazer um calculo sobre as despesas e rendimentos que pode ter a Caleira em um ano, fazendo duas fornadas de dois em dois meses, e achei dar livre de despesas, a todos juntos= 4.788 patacões, e cada um dos três, 1.596. Trabalhando com quatro peões bons e efetivos, dando a cada um para o etape – meio patacão diário e de salário, dez patacões por mês”. Cássio Lopes, presidente do Núcleo de Pesquisas Históricas de Candiota, destaca quem quiser conhecer as caleiras, as mesmas localizam-se no assentamento do Passo do Tigre, a margem direita do Arroio Candiota, próximo a Cimbagé.

Núcleo de Pesquisas Históricas de Candiota Recebe livros de historiador Bageense.


Por Cássio Lopes

Após breve contato com Maria Bartira Taborda, filha do renomado historiador Tarcisio Antônio Costa Taborda, Cássio Lopes presidente do Núcleo de Pesquisas Históricas de Candiota, salientou o interesse da entidade em adquirir os livros do pesquisador. Algumas semanas após, para surpresa de todos, Bartira, consegui boa parte da obra de seu pai, a qual fez a questão de doar o acervo para os Pesquisadores Candiotenses. Tarcísio Antonio Costa Taborda foi historiador, professor e escritor, nasceu em Bagé em 13.07.1928 / 13.03.1994. Filho de Áttila Taborda e de Julia Costa Taborda. Exerceu entre 1951/55, o magistério secundário nos Ginásios Espírito Santo, Profª Melanie Granier e Colégio N. S. Auxiliadora, lecionando História do Brasil, Elementos de Economia Política, Português e Latim. Em 1952, foi bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais pela Universidade Federal do RGS. Exerceu o magistério superior nas Faculdades de Filosofia, Ciências e Letras e de Direito na FunBA (Faculdades Unidas de Bagé). Fundou em Bagé, o Museu Dom Diogo de Souza em 1955 e
Museu Patrício Corrêa da Câmara em 1970. Os Livros que foram doados para núcleo, são: “Bagé; Símbolos e Festas”(1990); “Bagé e a Revolução Farroupilha”(1985); “Perfis”(1998); “Datas Importantes de Bagé”; “Fontes para a História da Revolução de 1893”(1987); “Forte Santa Tecla”; “Abolição da Escravatura em Bagé”(1984) e “Bagé para Sempre”(1981). Agradeço Bartira pela doação dos livros, os mesmos serão de grande valia para nossas pesquisas”. Completa Cássio Lopes.