terça-feira, 31 de janeiro de 2012

General David Canabarro: Herói ou Vilão?

                                                      General David Canabarro

Por Cássio Lopes

General David Canabarro, por batismo David José Martins, nasceu no dia 22 de Agosto de 1796 em Taquari, RS. Já em 1811 – 1812 participou de campanhas no Prata e com apenas 15 anos entrava para o exército imperial do Brasil, saindo desta campanha com a promoção a cabo. Na Guerra Cisplatina David Canabarro recebeu a patente de tenente, devido a sua “intensa participação e coragem” como cita Alfredo Ferreira Rodrigues:
No combate do Rincão das Galinhas (24 de setembro de 1825) salvou o Exército Brasileiro de
desbarato completo, evitando a perseguição das forças inimigas vitoriosas com uma brilhante
carga de cavalaria que, com admirável precisão e denodo levou contra elas, dando tempo a
que se fizesse a retirada em boa ordem. Essa façanha valeu-lhe os galeões de Tenente.

Durante a Revolução Farroupilha (1835 – 1845), tornou-se uma das lideranças desta
revolta, obtendo diversas vitórias sobre o Exercito Brasileiro, antes defendido por ele; na Guerra dos Farrapos obteve a patente de Tenente-Coronel, atuando ao lado de Bento Manoel Ribeiro e Bento Gonçalves nas decisões e estratégias a serem usadas pelas tropas farroupilhas. Promovido o Coronel em 1837 David Canabarro também participou de batalhas para o surgimento da República Catarinense ou República Juliana ao lado de Garibaldi. Em 1841 Canabarro é nomeado General, devido aos seus relevantes serviços prestados à causa da liberdade Riograndense.
David José Martins adotou o nome David Canabarro por volta de 1836 ainda por razões não completamente esclarecidas: sabe-se que alguns de seus parentes já usavam o nome “Canabarro” desde longa data, este talvez seja o motivo pela qual David Martins transformou-se em David Canabarro, como sugere Ivo Caggiani, historiador Santanense:

Tudo leva a crer que alguma ligação deve existir com os “Machado” e os “Ferreira” de Vila
Pouca de Aguiar. Em conseqüência os descendentes dos nobres “Canavarros” de Portugal
devem ser os “Canabarros” do Brasil.
Canabarro tanto quanto militar era um comerciante de grande astúcia. Em parceria com seu tio-cunhado Antônio Ferreira Canabarro iniciaram uma forte sociedade, tanto como comerciantes como estancieiros. Adquiriram a primeira propriedade em 1834, no atual município de Santana do Livramento, a Estância da Alegria, já em 1846 compraram a sesmaria de São Gregório. Em 1847 David e Antônio separaram a sociedade ficando Antônio Ferreira na estância da Alegria e David com a estância São Gregório. Em 1849 David Canabarro juntamente com seu irmão João Martins adquirem uma área contígua a sesmaria de São Gregório, denominada sesmaria de São João, conhecida como Estância São João do Umbu e em 1858 eles também compraram as terras relativas à sesmaria de São Gregório pelo leste. Em 1867 David Canabarro casa-se com sua cunhada, ficando com todo o patrimônio pertencente a seu irmão já falecido. Durante os séculos XVIII e XIX diversos conflitos entre Portugueses e Espanhóis se deram na região de fronteira, principalmente no extremo sul do Brasil, no Rio Grande do Sul essa era uma área de extrema importância tanto militar quanto comercial devido às proximidades com o Rio da Prata e particularmente Montevidéu, de acordo com isso tanto Portugueses quanto Espanhóis possuíam um grande interesse nestas terras. Preocupado com as constantes invasões vindas da banda Oriental o governo Português nomeia diversos “comandantes da fronteira”: esses líderes eram encarregados de manter a linha fronteiriça e impedir novas invasões Castelhanas. O General David Canabarro é escolhido como um desses guardiões devido a seu total conhecimento da região já que há muito tempo residia no local que abrange as terras hoje pertencentes ao município de Santana do Livramento, fronteira entre Brasil e Uruguai.
Após a pacificação de Ponche Verde, Canabarro foi nomeado por o Barão de Caxias, Comandante de Fronteira, área que se estendia desde o curso do rio Quarai até Upamaroti, linha da Fronteira de Bagé, passando por Sant’Ana do Livramento, vila cuja importância estratégica muito crescera no decurso da Revolução Farroupilha.
Com a referida nomeação Canabarro mandou construir na então Estância São Gregório uma sede para seu Comando da Fronteira, esse local ficou conhecido como “Recreio”.
David Canabarro aparece na historiografia Riograndense como uma figura dúbia. Enquanto uns o defendem como herói, homem de grandes feitos, outros o acusam de covarde, traidor da causa farroupilha. Um dos eventos mais discutidos atualmente ao envolver o conflito Farroupilha e o nome de Canabarro é a batalha de Porongos. Na historiografia atual encontramos evidencias reveladoras sobre o caso. Na fase final da Guerra dos Farrapos, a batalha de Porongos, conforme as novas críticas foi onde, segundo consta, David Canabarro traiu os Lanceiros Negros, grupo de escravos que lutavam em troca de sua liberdade. Previamente avisado do avanço das tropas imperiais, desarmou o grupo de lanceiros negros e antes da batalha deixou-os para lutarem sozinhos e sem armas contra o exército imperial.

Conforme o Historiador Cláudio Moreira Bento, a base da tal acusação foi um ofício bem forgicado (falsificado) por Chico Pedro, como sendo assinado pelo Barão de Caxias para ele, no qual este lhe ordenava que atacasse Canabarro, pois este não resistiria conforme combinação entre ambos. E mais que ele aproveitasse "para atacar e eliminar os mulatos, negros e índios farrapos e poupasse sangue branco.
Esta falsidade atribuída a Canabarro fez o efeito esperado, entre os farrapos, num quadro de Guerra Psicológica, os quais em parte passaram a considerá-lo um traidor, até por interesse político escuso e como descarrego ou fuga de responsabilidades pelo insucesso militar da revolução que seria colocado assim na conta de Canabarro, "pelos demônios de todas as revoluções," segundo Morivalde Calvet Fagundes, o autor do mais completo livro sobre o Decênio Heróico. Ou seja perto do fim do insucesso de uma revolução, ocorre a caça de um bode expiatório e no caso em tela foi Canabarro, não habituado às guerras de alfinetes..
Este ofício falsificado, que tantas injustiças provocou à bravura, à honra e até hoje à memória histórica de Canabarro, teve a seguinte origem:
"Chico Pedro em perseguição a Canabarro e acampado no Pequeri, falou ao seu Major de Brigada João Machado de Moraes: És capaz de imitar a firma do Barão de Caxias? E ele respondeu: - A letra é boa e talvez eu possa imitar. Então vamos fazer uma intriga contra Canabarro. Pois ele é o único que pode sustentar a Revolução. Portanto vamos fingir um ofício assinado por Caxias para mim dizendo que no dia tal eu vá atacar Canabarro e derrotá-lo, visto haver entre o Barão de Caxias e Canabarro e oficiais deste um convênio."
Escrito o ofício com a assinatura de Caxias falsificada, Chico Pedro ao passar em Piratini pela casa de Manoel Francisco Barbosa, mostrou-lhe o ofício falsificado. E este, republicano extremado, mordeu a isca. E exaltou-se e copiou o dito ofício e o distribuiu. A intriga planejada fez o efeito desejado que até hoje perdura, sem que sejam analisadas as heróicas vidas de Canabarro e Caxias que negam a capacidade de fazerem tal acordo.
Mas, Félix de Azambuja Rangel em seu relato na Revista do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul, 1º e 2º trimestre de 1928, p. 36-47, comprova a armação feita para abalar a confiança dos farrapos em Canabarro, o comandante de seu Exército, pelo seu grande e indiscutível valor militar como mestre consumado da Guerra à gaúcha, como se demonstra em sua biografia no livro: “O Exército farrapo e os seus chefes” (Rio de Janeiro: BIBLIEx, 1992, 2v).
Canabarro era único chefe republicano que realmente tinha verdadeiro prestígio para manter por mais algum tempo a luta, por isso bem compreenderam Caxias e Chico Pedro inutiliza-lo, indispondo-o com os outros generais e seu Exército, o que conseguiram com artificioso plano." ( WIEDERSPHAN, Convênio de Ponche Verde p. 72/73). Chico Pedro, chefe militar notável e grande estrategista, omitiu este fato em suas Memórias publicadas na Revista do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul, 1921. Qual seria o motivo?
Ivo Caggiani em David Canabarro de Tenente a General, Porto Alegre Martins Livreiro - Editor, 1992 escreveu:
"Ainda que estivessem em andamento as negociações de paz, a grande preocupação de Caxias era realmente David Canabarro a quem nunca conseguira vencer" e, completaríamos, a que nunca Chico Pedro conseguira surpreender.”
Segundo o General Morivalde Calvet Fagundes em sua História da Revolução Farroupilha p.201:
“Canabarro ao assumir o Comando-em-Chefe do Exército da Republica, em agosto de 1843, manteve a sua tropa em movimentação e atividade constantes, através da Guerra de Guerrilha (A Guerra a gaúcha).
"Canabarro sustentou por 16 meses a Guerra de Guerrilha. Foi mais de um combate por mês. Caxias o perseguiu por 38 léguas, através de toda a fronteira sudoeste sem conseguir um encontro com Canabarro, que tentava repetir a tática vitoriosa contra General João Paulo dos Santos Barreto, em 1841, famoso engenheiro militar.
Como comprovação do fato, o próprio Caxias escreveu ao Ministro da Guerra Jeronimo Coelho:
"É sem dúvida a primeira vez que Canabarro é surpreendido, o que até agora parecia impossível por sua continua vigilância!"
Capistrano de Abreu, grande historiador do Brasil, assim interpretou os sentimentos do Exército Brasileiro, ao saber que o Duque de Caxias havia dispensado as honras militares:
"O Duque de Caxias dispensou as honras militares! Acho que ele fez muito bem! Pois as armas que ele tantas vezes conduziu à vitória, talvez sentissem vergonha de não terem podido libertá-lo da morte!"
Estavam junto com Canabarro na surpresa de Porongos os generais Antonio de Souza Netto, João Antônio da Silveira, Coronéis Manoel Lucas de Oliveira, Felipe Portinho e Teixeira Nunes e o Ministro Vicente da Fontoura dos quais jamais se ouviram desconfianças de lealdade e valor de Canabarro.
Canabarro lutou ainda na Guerra contra Rosas e na Guerra contra Aguirre, recebendo o título de general-honorário, título com o qual combateu os invasores na Guerra do Paraguai. Faleceu em sua estância, onde um ferimento no pé evoluiu para uma grande infecção e terminou por matá-lo em 12 de abril de 1867
Referências:
 Educação Patrimonial e a Pesquisa arqueológica do “Sítio Casa de
 David Canabarro” em Santana do Livramento, RS- Fabiana de Oliveira e André Luís    Ramos Soares

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Combate dos Porongos: surpresa ou massacre?

                                    Cerro dos Porongos, Pinheiro Machado-RS
Por Cássio Lopes

Em novembro de 1844 estava em voga uma suspensão de armas, condição fundamental para que os governos pudessem negociar a paz. Condição essa não cumprida por todos os envolvidos. Alguns historiadores, como o professor da PUC de Porto Alegre, Moacyr Flores, atribuem o episódio de Porongos à traição dentro das forças republicanas, para eliminar o grupo de Lanceiros Negros e acabar com um dos principais entraves às conversações da paz. Para ele, "os negros foram traídos em Porongos porque Caxias tinha ordens de não lhes conceder anistia. Levaram os negros capturados em Porongos e os que foram entregues pelos Farrapos para a fazenda de Santa Cruz e para o Arsenal no Rio de Janeiro". Historiadores dessa corrente cogitam que a matança teria sido combinada entre David Canabarro, o principal general farrapo, e Duque de Caxias, representante imperial, para exterminar os integrantes, que poderiam formar bandos após o término da guerra e forçarem a assinatura da Paz de Ponche Verde. De comum acordo decidiram destruir parte do exército de Canabarro, exatamente seus contingentes negros, numa batalha pré-arranjada, conhecida como a Combate dos Porongos. A questão da abolição da escravatura, uma das condições exigidas pelos farroupilhas para a paz, entravava as negociações. A libertação definitiva dos ex-escravos combatentes precipitaria um movimento abolicionista no resto do império, e a mão de obra escrava vinha mantendo a produção agrícola desde os tempos coloniais. Os Lanceiros Negros teriam sido previamente desarmados por Canabarro e separados do resto das tropas, sendo atacados de surpresa e dizimados pelas tropas imperiais comandadas pelo Coronel Francisco Pedro de Abreu, conhecido como Moringue.
Outros historiadores acreditam que a batalha de Porongos, foi um ataque sofrido pelo general David Canabarro – e não armado por ele em conjunto com o imperialista Caxias. Para Cláudio Moreira Bento, historiador e coronel reformado do Exército Brasileiro, autor de 70 livros, a maior parte deles sobre história militar, os Lanceiros Negros salvaram a República Rio-Grandense e o seu Exército de um colapso total, “através de resistência titânica que lhes custou muitas vidas, que contribuíram para a manutenção das condições honrosas de paz com o Império, como foi o Tratado de Ponche Verde, graças a Caxias”.
Vê-se então um conflito de versões. Para uns, Canabarro é vilão, para outros, sofre um ataque inesperado. Isso se deve a uma carta atribuída ao barão de Caxias, instruindo Moringue a atacar o corpo de Lanceiros Negros, que seriam previamente desarmados, e afirmando que tal situação teria sido previamente combinada com Canabarro. Esta carta foi mostrada em Piratini, a um professor ligado aos demais comandantes farrapos. A autenticidade desta carta foi questionada, tomando por base o depoimento de Azambuja Rangel(cunhado de Moringue), a mesma teria como objetivo principal a desmoralização da imagem de Canabarro. Seja a carta verdadeira ou não, o fato é que o combate de Porongos removeu um dos obstáculos mais complicados para o restabelecimento da paz no Rio Grande, uma vez que o império não admitia conceder a liberdade aos negros que haviam lutado ao lado dos rebeldes farroupilhas, o que, segundo alguns historiadores, seria considerado um "mau exemplo" para os escravos de outras províncias.
Tenha sido surpresa ou traição, de alguma maneira os negros farrapos foram separados do resto da tropa. Isolados e portando apenas armas brancas, os Lanceiros Negros resistiram bravamente antes de serem liquidados. O combate de Porongos, onde oitenta de cem mortos foram negros, abriu caminho para a Paz de Ponche Verde alguns meses depois. “Tombam os Lanceiros Negros de Teixeira Nunes, brigando um contra vinte, num esforço incomparável de heroísmo", segundo Cláudio Moreira Bento.
Artêmio Vaz Coelho, integrante do Núcleo de Pesquisas Históricas de Candiota e historiador de Pinheiro Machado, o qual pesquisou durante 15 anos a história do combate e dos lanceiros negros, embasando-se em teses e trabalhos desenvolvidos por diversos historiadores podendo destacar César Pires Machado, Carlos Marino Louzada e Morivalde de Fagundes Calvet, concluiu que a abordagem dos fatos que é feita sobre a batalha tem sido tendenciosa com as insinuações de traição aos famosos lanceiros negros. No entendimento de Artêmio o que ocorreu foi uma fatalidade em que pereceram os verdadeiros heróis republicanos.


segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Francisco Pedro de Abreu: O Implacável inimigo dos Farrapos

                                                      Império Brasileiro  
                                onde Moringue tomou armas e  defendeu os ideais
                             da Monarquia na Revolução Farroupilha e Guerra do Paraguai.
Por Cássio Lopes


Conhecido como “Chico Pedro” ou “Moringue”, Francisco Pedro de Abreu nasceu em Porto Alegre no ano de 1811, filho do Português Pedro Gomes de Abreu e Maria Alves Azambuja. Começou a aparecer e a distinguir-se desde o inicio da Revolução Farroupilha, como chefe legalista.
Na Guerra, foi muito ativo, valente e ardiloso, razão pela qual era respeitado e temido como homem de surpresas, que, aliás, deram-lhe muitas vitórias. Tomou armas em defesa dos ideais da Monarquia entrando para o serviço da legalidade, no posto de Major, sendo logo escolhido, para desempenhar arriscadas comissões de confiança, a que sempre deu o mais cabal desempenho.
Em 1º de setembro de 1838, foi atacado no Arrio Petim, por um corpo revolucionário sob o comandando de Amaral Ferrador, saindo vencedor e tendo recebido um ferimento.
Surpreendeu e destroçou, a 19 de setembro de 1839, no Arroio dos Ratos, o Coronel José Manoel Leão que ficou morto no campo de luta.
Neste encontro, foi prisioneiro e ferido por um golpe de espada no rosto, sendo bem jovem, o soldado José Ferreira da Silva Junior, que obrigado a sentar praça no exercito, serviu na Arma de Cavalaria, alcançando o posto de General.
Perseguindo o General Republicano Antonio de Souza Netto, surpreendeu-o, a 18 de junho de 1840 no Arroio Velhaco, nas raias do município de Cacimbinhas, fez alguns mortos e prisioneiros, entre eles o Coronel Affonso de Almeida Corte Real.
A 6 de agosto do mesmo ano, derrotou de surpresa perto de Capivari, um destacamento de revolucionários e a 25 de setembro aprisionou outro destacamento revolucionário em Roça Velha, sendo morto o comandante.
Depois de muitas marchas e contramarchas comandando isoladamente forças, o Tenente Coronel Francisco Pedro foi atacado em Santa Maria Chica pelo General Republicano João Antonio da Silveira e entrincheirando-se com a pouca infantaria de que dispunha numa cerca de pedra, ocasionou grandes prejuízos aos revolucionários que tiveram muitos mortos e feridos, dentre eles o comandante José Gomes Portinho, esta ação foi em 8 de junho de 1843.
A 27 do mesmo mês e ano aprisionou em Piratini os Coronéis José Mariano de Matos, oficial de engenharia, que mais tarde foi General e Ministro de Guerra da monarquia em 1864 e Joaquim Pedro Soares, um dos mais valentes vultos farroupilhas.
No porfiado combate do Cerro da Palma, a 16 de março de 1844, foi derrotado pelo Coronel revolucionário Antonio do Amaral.
Achando-se em Bagé o General Barão de Caxias Comandante-em-Chefe do Exército, tratando da paz e reconciliação da família Rio Grandense, Francisco Pedro, que de nada sabia, veio de Jaguarão a marchas forçadas, surpreendendo nos Porongos onde estava em descanso, confiando na palavra do chefe pacificador, o General republicano David Canabarro, em 14 de Novembro de 1844.
Terminada a Revolução Farroupilha, foi lhe concedido o titulo de Barão do Jacuí, pelos serviços prestados ao império.
Em 1849, D. Manuel Oribe preposto do ditador Rosas, de Buenos Aires, assenhorou-se do governo do Uruguai, perseguindo os estancieiros brasileiros, vexando-os e ameaçando-os de morte, tomando conta de mais de 100 estâncias cujos donos fugiam para não serem assassinados.
Revoltado por tantas injustiças e sendo uma das vitimas, o Barão de Jacuí, por um golpe de audácia, resolveu reunir e armar uma respeitável força, invadir o país vizinho. Porém o governo brasileiro, não admitiu essas reuniões que se concentravam sobre a fronteira de Quaraí e do Upamaroti, mandando as dissolve-las através dos Tenentes Coronéis Manoel Luiz Osório e Severino Ribeiro.
Mesmo Assim, a invasão deu-se e o experimentado Guerreiro Francisco Pedro conseguiu bater de surpresa e derrotar o Coronel Diogo Lamas, chefe militar do departamento de Salto, causando-lhe diversas mortes.
Também derrotou as cavalarias de Servando Gomes, no Arapeí, fugindo este, apoiado nas infantarias e por 4 bocas de fogo.
Essa cruzada reivindicadora teve o nome de Califórnia de Chico Pedro, e terminou em 1850, com a dispersão das forças.
Dia a dia, complicavam-se as relações internacionais do Rio da Prata e o Brasil viu-se obrigado a invadir o Estado Oriental em 1851.
Na organização dada ao exército em Santana do Livramento, pelo General Comandante-em- Chefe Conde de Caxias, em Ordem do Dia nº 15, de 28 de agosto daquele ano, foi o Coronel Barão de Jacuí, distinguido com o comando da 8ª Brigada de Cavalaria, composta da guarda nacional de Piratini, Pelotas e Jaguarão e de voluntários orientais.
Fazendo a marcha para Montividéu, expedicionou ao sul e a 11 de setembro de 1851, atacou e dispersou, nas imediações de Cerro Largo, a Divisão do Coronel Dionisio Coronel, das forças do Coronel Oribe.
Após a queda das tiranias de Rosas e capitulação de Oribe, em Montividéu, regressou ao seio da pátria.
No começo da Guerra do Paraguai, o Barão do Jacuí, reuniu uma divisão composta de pessoal da região serrana, da onde marchou para o exército de Uruguaiana, prestando seus serviços até a província de Corrientes, São Tomé, de onde regressou devido ao seu mau estado de saúde e avançada idade.
Faleceu no dia 6 de julho de 1891 em Porto Alegre.
                              

domingo, 4 de dezembro de 2011

O COMBATE DO CERRO DA PALMA

                                                             Cerro da Palma

Por Cássio Lopes

Nos últimos anos da guerra dos farrapos, o império através da ação do então Conde de Caxias, tinha o domínio quase total do território da província.    
A resistência farroupilha se situava na Região da Campanha onde os remanescentes do Exército Republicano se mantinham em luta, mais de guerrilha do que guerra convencional. A frente de uma das mais atuantes colunas do exercito imperial, agia nesta região o destemido Tenente Coronel Francisco Pedro de Abreu, de apelido “Chico Moringue”, todos os farrapos tinham ardente desejo de encontrá-lo e vencê-lo. O Coronel Antonio Manoel do Amaral foi sempre um “sedicioso”, desde o inicio do movimento liberal rio-grandense, e iniciou sua vida militar, em Rio Pardo sob as ordens do Coronel Corte Real.  Por constantes atos de bravura foi galgando postos até atingir a patente de Coronel, como o encontramos, no inicio de 1844, estacionado em Bagé a frente de cerca de 200 homens.  Desejando um confronto com “Chico Moringue”, o Coronel Amaral achou chegada à oportunidade, quando teve conhecimento que aquele chefe imperial marchava sobre Bagé, então iniciou a execução de um plano para envolvê-lo.  No dia 12 de março de 1844 deu ordem ao Tenente Coronel, Camilo dos Santos Campelo, para que marchasse em direção a Vila de Piratini, acampando no Passo das Mortes no Arroio Quebracho. Determinou ao Major Mariano Gloria que deixasse o acampamento no Rodeio Colorado e ocupasse as nascentes do mesmo Arroio.  No dia seguinte se retirou de Bagé para se reunir com Campelo e fazer junção com o Major José Marques, suas forças agora eram de 210 homens. Ao se completar a reunião de suas forcas soube que “Chico Moringue” havia tomado Bagé, fazendo prisioneiro o Ministro da Fazenda Domingos Jose de Almeida e vários oficiais. Vinte e quatro horas depois os imperiais abandonaram o povoado e reiniciaram marcha em direção ao Rio Negro, para no dia 15 estarem no Passo de Candiota, eram 260 homens bem montados e bem armados. O Coronel Amaral, que, com seus bombeiros vinham observando esta marcha de “Chico Moringue”, foi procurando envolvê-lo. Sentindo-se já quase cercado pelos farrapos, o chefe imperial procurou uma forte posição, em que se colocaria em defensiva, obrigando o inimigo a uma arriscada operação ofensiva.  Assim, colocou-se na encosta do Cerro da Palma, entre os Arroios Candiota e o Candiotinha, lugar privilegiado, circundado de banhados e coberto de gravatás. 
                         Banhado e Escarpa do Cerro da Palma
                          Visão Privilegiada do Cerro da Palma
 Estava assim a forca imperial em condições de esperar um ataque, com vantagem de posição.  As diferentes provocações não eram aceitas por “Moringue”, mas o Coronel Amaral estava disposto a tudo fazer para enfrentar e vencer o bravo adversário. Por isso temerariamente resolveu atacar. A galope e toque de clarim os farrapos venceram o banhado, subiram num fôlego o aclive da encosta e carregaram com bravura, sem temer a forte descarga a queima roupa que receberam dos imperiais estaqueados a sua espera. O entrevero foi violento e o combate um corpo a corpo inusitado, teve a duração de duas horas.  O Coronel Francisco Pedro de Abreu, Chico moringue, foi ferido pelo Tenente Coronel Camilo Campelo sendo atingido na cabeça e nas costas, perdendo sangue iniciou uma retirada, protegido por uma dúzia de homens, em sua perseguição saiu o major Mariano Gloria, até as pontas dos Arroios Jaguarão e Torrinhas. A retirada do chefe imperial, contudo, não trouxe o desanimo em seus comandados, o Major Antonio Israel Ribeiro, ficou em campo fazendo tenaz resistência aos farrapos. Sentindo o Coronel Amaral que os seus comandados chefiados por Campelo e José Marques estavam encontrando dificuldades para vencer os imperiais, mandou interromper a perseguição a Moringue, voltando para efetivar uma carga final contra os que resistiam. Vencida a ultima resistência, ficaram os farroupilhas vitoriosos no Cerro da Palma.  Os imperiais perderam metade de seu efetivo, 23 mortos no campo de luta e 40 durante a perseguição, além de 93 prisioneiros, entre os mortos 4 oficiais. Como presa de guerra muita munição, armamento, cavalhada, e correame. Da parte do Coronel Amaral, a informação de haver perdido 4 homens, ficando 4 oficias feridos e 17 soldados.  A vitória foi celebrada com grande aclamação, e ao Coronel Antonio Manoel do Amaral foi oferecido um copo de chifre, lavrado a fogo com os seguintes dizeres:
Campo da gloria no Cerro da Palma 16 de marco de 1844
Quer no monte quer no prado
Cresça erva arbusto e flor
Cresça em nos por toda a parte
União paz e amor 
Quer estranho peregrino
Derrotado ou vencedor
E dever com eles termos
União paz e amor.
Esta relíquia encontra-se no Museu dom Diogo de Souza em Bagé.
        O Coronel Antonio do Amaral morreu em 21 de junho de 1844, com 34 anos de idade, na cidade de Jaguarão, depois de tela tomado dos imperiais, para se abastecer de roupas e gêneros, para o exercito farroupilha, quando se retirava na altura da praça principal, foi atingido pelos tiros dos imperiais.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

José Francisco Lacerda, o “Chico Diabo”

Coronel Joca Tavares (terceiro sentado, da esquerda para a direita) e seus auxiliares imediatos, incluíndo Francisco Lacerda, mais conhecido como "Chico Diabo" (terceiro em pé, da esquerda para a direita)


Por Cássio Lopes



José Francisco Lacerda nasceu no ano de 1848 no atual município de Camaquã. Como os seus pais eram pessoas de parcos recursos, ainda guri, conseguiu emprego em uma carniçaria de propriedade de um senhor de nacionalidade italiana no município de São Lourenço onde eram confeccionados produtos como salames, lingüiças, charque, etc... Tudo corria muito bem quando num determinado dia do ano de 1863, após o almoço, o seu patrão deixou-o cuidando a carniçaria e foi atender ao seu antigo hábito da sesta; por um descuido, um cachorro entrou no recinto onde estava guardada a carne para ser trabalhada e conseguiu roubar um pedaço; quando o patrão levantou, Francisco, imediatamente, comunicou-lhe do acontecido o que provocou uma forte reação do italiano manifestada por uma impar xingada no moço que, diante da inusitada situação, disse-lhe que iria embora para a casa dos pais; porém, o colérico senhor retrucou-lhe dizendo que o mesmo não sairia dali sem, antes, apanhar uma surra; após essas palavras, encerrou-o na carniçaria, atou a porta da mesma com um tento e, com um relho, começou a bater-lhe ao redor de uma mesa de trabalho onde Francisco corria procurando defender-se sem sucesso. Em dado momento, Chico conseguiu apanhar uma faca, tipo carneadeira, que havia sobre a mesa e investiu desesperadamente contra o seu agressor atingindo-o mortalmente no abdômen; quando o moço percebeu que havia morto o seu patrão, tentou cortar as dobradiças da porta que eram de couro, mas, como estas estavam ressequidas, não logrou êxito, o que o fez cortar o tento que amarrava fortemente aquela abertura. Quando sentiu-se livre, imediatamente, fugiu para a casa de seus pais no município de Camaquã onde chegou a primeira hora da manhã do outro dia tendo, portanto, caminhando a pé, toda a tarde e toda a noite; é nesse momento que José Francisco Lacerda recebeu o cognome de “Diabo” e o carregou por toda a sua existência. No momento em que os seus pais perceberam que vinha alguém atalhando o campo em direção a sua morada, tão cedo da manhã, antes de identificar de quem se tratava, a sua mãe teria dito: - “Garanto que é aquele “Diabinho” que vem vindo”! Esclarecidos os motivos da sua fuga, os pais providenciaram a imediata remoção de Chico Diabo para a propriedade do seu tio Vicente Lacerda em Bagé, onde chegou com 15 anos de idade. Em 1865, portanto, com 17 anos, quando uma força de “Voluntários da Pátria” passava pela residência do seu tio, o então Coronel Joca Tavares, que a comandava, convidou-o para integrar aquele contingente o que foi prontamente aceito, e o consentimento do seu tio Vicente Lacerda concretizou sua participação na Guerra do Paraguai onde celebrizou-se na história sul americana por haver lanceado, na virilha, o Ditador do Paraguai Francisco Solano Lopez, no dia 1º de março de 1870 no local denominado Cerro Corá (naquele país) pondo fim ao mais significativo conflito bélico da América do Sul. Embora tenha sido prometida uma quantia de 100 libras de ouro para quem matasse Solano Lopes, Chico Diabo recebeu, pelo serviço, 100 vaquilhonas. Trouxe consigo a faca de prata e ouro que usava Solano Lopes quando foi morto eis que as iniciais em ouro eram as mesmas suas FL (Francisco Lopes – Francisco Lacerda). 
                                                 Solano Lopes
                            Ilustração da morte do ditador Paraguaio

A história da lança que Chico Diabo usou na Guerra do Paraguai, encontra-se no Museu Nacional do Rio de Janeiro. Esse personagem possuía uma fração de campo nas imediações da Encruzilhada onde residia. Ao retornar do Paraguai em 1871, casou-se com a sua prima Izabel Vaz Lacerda com a qual teve quatro filhos: Luiz, João Maria, Francisco Bino e Josefa que faleceu aos três anos de idade. Chico Diabo capatazeou a famosa Estância do Pavão, em Caçapava do Sul, época em que trouxe, de Camaquã, o seu irmão Anibal para ajudá-lo e só abandonou esse trabalho quando o seu filho João adoeceu gravemente e pediu-lhe que o trouxesse para a casa do Avô Vicente porque, ali, desejava morrer o que, felizmente, não aconteceu. Posteriormente, Chico Diabo foi capataz da Estância do Piraí. José Francisco Lacerda faleceu repentinamente no Uruguai em 1893 quando realizava um trabalho para o General Joca Tavares; nessa época, possuía uma economia de 90 contos de réis e estava adquirindo uma fração de 8 quadras de sesmaria no lugar onde, hoje, encontrava-se a Vila Malafaia. Após a sua morte, esse dinheiro foi repartido em partes iguais para os seus três filhos. Os restos mortais do Chico Diabo levaram muitos anos para chegarem ao Brasil e isto só foi possível porque sua esposa Izabel Vaz Lacerda pagou uma enorme quantia, em dinheiro, para um uruguaio roubá-los e, ao recebê-los, o identifcou por uma cicatriz de fratura que havia em uma das suas pernas. Os seus restou mortais estão sepultos, sob o piso da capela, no túmulo da família no Cemitério da Guarda onde foi colocada uma lápide, pelo núcleo de pesquisas históricas de Bagé no dia 30 de outubro de 2002 na presença de suas netas Silvina e Josefa Lacerda.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Quem foi Adão Latorre?


Por Cássio Lopes

Oriundo do Uruguai fixou residência no interior de Bagé. Adão Latorre sobre o qual pesam as acusações de haver degolado no dia 28 de novembro de 1893 em torno 300 prisioneiros no combate do Rio Negro,(nos campos do atual município de Hulha Negra); segundo testemunhas oculares do acontecimento, foram degolados realmente e no máximo, 34 pessoas já que, após o combate e antes da degola, foram contados 270 mortos espalhados no campo da batalha.
Na importante obra “Alma, Sangue e Terra” de Cândido Pires de Oliveira, encontramos às páginas 189 e 190, uma nota sobre Latorre cujo conteúdo é uma transcrição de um depoimento do próprio Adão feito ao Sr. João Cavalheiro durante a revolução de 1923 com o seguinte teor:
Depois de haver participado da Guerra do Paraguai ao lado de Joca Tavares, ao eclodir a revolução de 1893, novamente, ingressou nas forças daquele general. Ao partir para a revolução, deixou em sua residência, como guardião de sua esposa e filhos, o seu pai já com avançada idade. Passando por aquele local um contingente castilhista, seus componentes assassinaram cruelmente o seu pai, conduziram ao acampamento a esposa e filhas que indefesas, foram submetidas a estúpidas sevícias. Por ocasião do combate do Rio Negro, Adão Latorre logrou aprisionar os responsáveis por aqueles crimes horrendos contra a sua família. Valendo-se de testemunhas, que identificaram um por um dos assassinos, os abateu degolados. Entre os executados estava o Coronel Legalista Manoel Pedroso.
No livro nº 4 dos Contratos Diversos do 8º Distrito, encontramos registrado no dia 27 de setembro de 1922 o Testamento do Lendário Cel. Adão Latorre que possui o seguinte teor: “Adão Latorre, solteiro, uruguaio, com 83 anos de idade, domiciliado no 1º Distrito a quem conhecemos e atestamos a sua perfeita sanidade, declara em seu testamento sua última vontade pela maneira seguinte: Que não tendo herdeiros necessários, descendentes ou ascendentes, embora reconhecendo verdadeiros e naturais os seus dois filhos havidos com Maria Francisca Nunes, brasileira, solteira já falecida, João Latorre com 52 anos de idade e Nicamoza Latorre com 42 anos, solteiros, uruguaios, residentes no município, deixa oito braças de sesmaria e a casa para Josefina Machado companheira com que reside, cuja área tem limites com a propriedade de Gaudêncio Furtado de Souza e a estrada real de Bagé ao Camaquã e nomeia como testados  Gaudêncio Furtado de Souza e substituto Vergílio Alfredo de Almeida. Testemunhas: Plínio Azevedo (funcionário público), José Otávio de Lima (comerciante), Miguel Ravizo (comerciante), Anaurelino Francisco Ferreira (funcionário público) e Jônatas José de Carvalho (proprietário). Escrivão ao Sr. José Maria Lopes”.
Adão Latorre morreu fuzilado no dia 15 de maio de 1823, no combate do Santa Maria Chica (Passo da Ferraria) município de Dom Pedrito, após sofrer emboscada dos capangas do Major  Antero Pedroso. (Irmão do Coronel Manoel Pedroso)
 Pedro Antônio de Souza Neto (tio Pedro), ferreiro do antigo 12º RC, hoje 3º Batalhão Logístico (Batalhão Presidente Médici), foi quem no ano de 1923, com a patente de 3º sargento do Exército, foi designado a integrar um pelotão para fazerem o translado do corpo de Adão Latorre do Passo da Maria Chica para Bagé, onde foi sepultado no cemitério dos anjos.
Adão deixou 13 filhos dos quais 9 eram Uruguaios e dois deles possuíam o nome de João.
Cássio Lopes, presidente do Núcleo de Pesquisas Históricas de Candiota, salienta que além de Adão Latorre, existiram outros uruguaios, que lutaram na Revolução de 1893, defendendo a causa Maragata, podendo destacando o valente General Aparicio Saraiva e sua força, que era composta por vários de seus compatriotas. 

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

História do Cemitério da Guarda


Por Cássio Lopes

Após a assinatura do Tratado de Santo Idelfonso, de 1777, no qual delimitava a fronteira entre Portugal e Espanha no território do atual estado do Rio Grande do Sul.  Foram enfim instalados em 1786, os marcos divisórios correspondentes a ambos os reinados.  Em Bagé, além da grande guarda fronteiriça de São Sebastião, foi criada outra guarda de pequeno porte que ficava localizada a pouco mais de 600 metros da Estância do Sobrado. Segundo a tradição oral, pelo falecimento natural de um oficial da referida guarda, o mesmo foi sepultado em um local próximo onde foi confeccionada e posta uma cruz de ipê a partir de um cabeçalho de carreta; essa cruz permaneceu naquele local até ano de 1957. Esse acontecimento deu origem ao conhecido Cemitério da Guarda. Outro detalhe interessante ligado à história desse cemitério, é que a primeira árvore que cresceu em seu interior, foi um pé de murta que, segundo relatos, teve origem de uma cruz feita com dois galhos verdes daquela árvore e, por haver brotado a haste vertical, tornou-se um exemplar de grande porte tendo existido até o ano de 1940; essa árvore era considerada um símbolo daquele campo santo. Atualmente o Cemitério da Guarda possui a sua frente para o nascente, mas o mesmo começou tendo a frente voltada para o lado poente. Dentre várias pessoas ali enterradas, destaca-se a figura do Cabo José Francisco Lacerda, conhecido popularmente como “Chico Diabo”, que se notabilizou por ter ferido mortalmente, com uma lançada o ditador Francisco Solano Lopez, em Cerro Corá, nos campos do Paraguai, no dia 1º de março de 1870, dando assim, fim a Guerra da Triplice Aliança, após seis longos anos de lutas. Cássio Lopes presidente do Núcleo de Pesquisas Históricas de Candiota salienta que além do Cemitério da Guarda existem diversos outros de relativa importância histórica, podendo citar: Cemitério da Bolena, Cemitério das Tunas e Cemitério dos Anjos, este onde repousam os restos mortais do Coronel Maragato Adão Latorre, que lutou nas Revoluções de 1893 e 1923.
O então Coronel João Nunes da Silva Tavares, conhecido comoJoca Tavares (terceiro sentado, da esquerda para a direita) e seus auxiliares imediatos, incluíndo Francisco Lacerda, mais conhecido como "Chico Diabo" (terceiro em pé, da esquerda para a direita).

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Túmulo Chico Diabo
Túmulo Adão Latorre